O que fazer com o Décimo Terceiro: investir ou pagar dívidas? O que é melhor pra você?

A escolha ideal do que fazer com seu Décimo Terceiro depende diretamente do seu contexto financeiro atual e dos seus objetivos a longo prazo.

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Chegou aquela época do ano que todo trabalhador brasileiro espera com ansiedade: o pagamento do décimo terceiro salário.

Mas essa bonificação, que funciona como um verdadeiro alívio no orçamento de muitos, também traz consigo uma grande questão: o que fazer com esse dinheiro extra?

A decisão nem sempre é simples. De um lado, existe a oportunidade de finalmente quitar dívidas pendentes, organizar as finanças e começar o próximo ano com mais tranquilidade.

Por outro lado, surge a chance de usar esse valor para iniciar ou aumentar seus investimentos, fazendo o dinheiro trabalhar para você e acelerando a construção de um futuro mais próspero.

Por isso, neste artigo, vamos mergulhar nesse dilema e analisar os cenários para te ajudar a tomar a decisão mais inteligente e estratégica para o seu bolso.

Duas mulheres sorridentes sentadas no chão de uma sala de estar, rodeadas por cadernos, canetas, um laptop e uma calculadora. A imagem transmite a ideia de planejamento e organização financeira, mostrando como o décimo terceiro pode ser usado para organizar a vida e alcançar metas.

Entendendo o Décimo Terceiro Salário: Mais que uma Simples Bonificação

O décimo terceiro salário, oficialmente chamado de Gratificação de Natal, não é um bônus ou um presente da empresa.

Pois, na verdade, ele é um direito garantido por lei a todo trabalhador com carteira assinada (CLT), bem como a aposentados, pensionistas do INSS e servidores públicos.

De forma simples, ele corresponde a 1/12 (um doze avos) do seu salário por mês trabalhado durante o ano. Portanto, se você trabalhou o ano inteiro na mesma empresa, receberá o valor integral de um salário extra. Caso tenha trabalhado por menos tempo, o cálculo será proporcional.

Essa bonificação é paga em duas parcelas: a primeira até 30 de novembro e a segunda até 20 de dezembro. Além disso, ver esse dinheiro como parte integrante da sua remuneração anual é o primeiro passo para tratá-lo com a seriedade que ele merece.

O dilema principal: quitar dívidas ou começar a investir?

Aqui estamos no centro da questão. A resposta para essa pergunta é, acima de tudo, matemática. A decisão estratégica se resume a comparar as taxas de juros.

Você precisa analisar qual lado está pesando mais na sua vida financeira: os juros que você paga nas suas dívidas ou os juros que você poderia receber com seus investimentos.

Pense nisso como uma balança e o segredo é equilibrá-la a seu favor.

Cenário 1: A prioridade é pagar as dívidas com o Décimo Terceiro

Para a grande maioria dos brasileiros, este é o caminho mais sensato e urgente. Se você possui dívidas, especialmente as de juros rotativos, a decisão já está praticamente tomada. Mas quando esta é a melhor escolha?

A resposta é direta: sempre que você tiver dívidas com juros altos. Tentar investir enquanto se está endividado no cartão de crédito ou no cheque especial é como tentar encher um balde furado.

O dinheiro que entra pelo investimento escoa muito mais rápido pelo furo dos juros da dívida. Além disso, as taxas de juros do rotativo do cartão de crédito e do cheque especial no Brasil estão entre as mais altas do mundo, podendo ultrapassar 300% ao ano.

Em contrapartida, mesmo os melhores investimentos de baixo risco dificilmente renderão mais que 15% ao ano. A conta simplesmente não fecha.

Manter essas dívidas ativas significa que você está perdendo dinheiro todos os dias. Portanto, usar o décimo para eliminá-las pode ser uma necessidade para sua saúde financeira.

Passo a passo para quitar suas dívidas de forma inteligente

Se você se identificou com este cenário, não basta apenas pagar a primeira conta que aparecer. Use seu décimo terceiro de maneira estratégica.

  1. Liste todas as suas dívidas: liste tudo o que você deve. Anote para quem você deve, o valor total da dívida e, o mais importante de tudo: a taxa de juros.
  2. Priorize as mais caras: organize essa lista da dívida com a maior taxa de juros para a menor. As campeãs quase sempre serão o cartão de crédito e o cheque especial. São essas que você deve atacar primeiro com toda a força do seu décimo terceiro.
  3. Negocie, sempre! Com o dinheiro do décimo em mãos (ou prestes a receber), você tem um grande poder de barganha. Ligue para seus credores, explique que você quer quitar a dívida e que tem um valor X para pagamento à vista.
  4. Sobrou dinheiro? Se, depois de quitar as dívidas mais pesadas, ainda sobrar uma parte da sua bonificação, resista à tentação de gastar. O destino ideal para esse valor é o início da sua reserva de emergência.

Cenário 2: Usando o Décimo Terceiro para investir e multiplicar seu dinheiro

Parabéns! Se você não tem dívidas com juros altos, está em uma posição privilegiada para usar seu décimo terceiro e construir um futuro mais sólido.

Investir esse dinheiro, em vez de simplesmente gastá-lo, é o que diferencia quem constrói patrimônio de quem apenas paga as contas. Mas afinal, em que situação investir é o caminho certo?

Se você não possui dívidas no cartão de crédito ou cheque especial, mantém suas finanças organizadas e consegue fechar o mês sem aperto, além de já ter uma reserva de emergência ou estar pronto para começar uma, o décimo terceiro funciona como um verdadeiro acelerador.

Essa é a oportunidade de dar um passo importante na sua jornada como investidor e fazer seu dinheiro trabalhar a seu favor.

Dois homens conversam em uma mesa com um laptop exibindo gráficos financeiros e xícaras de café. A imagem ilustra a discussão sobre as melhores estratégias para investir o décimo terceiro, buscando otimizar os ganhos e o futuro financeiro.

Primeiros passos para investir seu Décimo Terceiro

Investir o décimo terceiro é uma ótima maneira de dar um passo importante na sua vida financeira. Para começar com segurança, siga estes passos simples:

  • Monte sua reserva de emergência: Antes de investir em qualquer outra coisa, garanta uma reserva equivalente a 6 a 12 meses do seu custo de vida. Coloque esse valor em aplicações seguras e de fácil resgate, como o Tesouro Selic ou um CDB com liquidez diária.
  • Defina seus objetivos financeiros: Pense no que você deseja conquistar: trocar de carro, viajar, comprar uma casa ou se preparar para a aposentadoria. Objetivos de curto prazo pedem investimentos mais conservadores; já os de longo prazo permitem buscar maior rentabilidade.
  • Escolha investimentos adequados ao seu perfil: Para quem está começando, a renda fixa é uma boa opção. Considere o Tesouro Direto, CDBs, LCIs e LCAs. Se você já tem reserva e quer diversificar, pode investir uma pequena parte em ETFs, que são fundos que acompanham índices da bolsa e oferecem diversificação com pouco dinheiro.

Seguindo esses passos, você aproveita melhor o seu décimo terceiro e começa a construir um futuro financeiro mais seguro e promissor.

E se eu fizer um meio-termo? É Possível?

Sim, e essa é uma estratégia muito inteligente! Nem sempre a vida é 8 ou 80. Se o seu décimo terceiro não é suficiente para quitar toda a sua dívida, ou se você tem uma dívida de juros mais baixos, você pode adotar uma abordagem híbrida.

Você pode, por exemplo, usar 70% do valor para abater uma parte significativa da sua dívida (negociando um bom desconto) e usar os 30% restantes para iniciar sua reserva de emergência.

Isso te dá um alívio imediato nos juros e, ao mesmo tempo, cria um colchão de segurança para o futuro, evitando novas dívidas.

O erro que você não pode cometer com seu Décimo Terceiro

O maior erro, e infelizmente o mais comum, é tratar o décimo terceiro salário como um dinheiro mágico que apareceu na conta, destinado a gastos impulsivos e compras de fim de ano.

Black Friday, presentes de Natal, festas… tudo isso pode consumir sua bonificação em um piscar de olhos, sem trazer nenhum benefício real para sua vida financeira.

Lembre-se: essa gratificação é parte do seu salário anual. Planeje seu uso com a mesma seriedade que você planeja seu orçamento mensal.

Usá-lo para criar novas dívidas é o pior cenário possível, ao transformar uma solução em um problema ainda maior para o ano seguinte.

Conclusão: Uma Ferramenta para seu Futuro

Em suma, o décimo terceiro salário é muito mais do que uma simples bonificação de fim de ano. Ele é uma ferramenta poderosa para transformar sua realidade financeira.

A decisão entre pagar dívidas e investir não precisa ser um bicho de sete cabeças; ela é uma escolha lógica baseada na sua situação atual.

Se os juros estão consumindo seu orçamento, não hesite: use cada centavo para se livrar desse peso. Se você está com as contas em dia, aproveite esse impulso para construir sua reserva de emergência e dar os primeiros passos no mundo dos investimentos.

Independentemente do caminho, o mais importante é tomar uma decisão consciente e planejada. Ao fazer isso, você garante que seu décimo trabalhe para você, e não contra você, abrindo as portas para um novo ano com mais saúde e prosperidade financeira.

Perguntas frequentes:

O décimo terceiro tem descontos de impostos?

Sim. Há desconto de INSS em ambas as parcelas e de Imposto de Renda (IR) apenas na segunda parcela, calculado sobre o valor bruto total. Por isso, a segunda parcela sempre tem um valor líquido menor.

Como o décimo terceiro é calculado?

Ele corresponde a 1/12 do seu salário por mês trabalhado no ano. Se você trabalhou o ano inteiro, recebe um salário integral. Caso contrário, o valor é proporcional aos meses em que atuou na empresa.

Quais são as datas limite para o pagamento?

A primeira parcela deve ser paga pela empresa até o dia 30 de novembro. Já a segunda parcela tem como data limite o dia 20 de dezembro. O não cumprimento desses prazos gera multa para o empregador.

Quem pede demissão ou é demitido tem direito ao benefício?

Sim, você recebe o valor proporcional aos meses trabalhados no ano diretamente na sua rescisão contratual. O único cenário em que o trabalhador perde esse direito é em caso de demissão por justa causa.

Posso antecipar o recebimento do décimo terceiro?

Sim. Você pode solicitar à empresa o adiantamento da primeira parcela junto com o pagamento das suas férias. Outra forma é a antecipação via bancos, mas atenção: essa operação é um empréstimo e incidem juros sobre o valor.

Nayara Krause


Jurista com pós-graduação em Direito Constitucional e letróloga habilitada em Línguas e Literaturas Portuguesa e Italiana.

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